Da redação
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veem nas mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro uma oportunidade para pressionar André Mendonça, relator do caso, pelo fim do sigilo das investigações sobre a relação de Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso “Dark Horse”, segundo interlocutores do governo. Após a revelação dos diálogos, esses aliados agiram para blindar Lula de repercussões políticas, minimizaram riscos à candidatura petista e afirmaram que Flávio deve ser o principal afetado pelo avanço das apurações.
Ainda conforme aliados, apesar dos esforços para dissociar Lula do caso, a exposição de Moraes pode mobilizar apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), que enxergam o ministro do Supremo como um adversário. Nos bastidores, apontam que uma eventual saída de Moraes abriria possibilidade de o presidente indicar outro nome ao STF, caso seja reeleito. O impacto concreto, contudo, dependeria da reação do eleitorado às novas informações.
Mendonça, indicado ao STF por Bolsonaro, é adversário de Moraes dentro da Corte e também relata investigações sobre o Banco Master, desvios no Instituto Nacional do Seguro Social e processos envolvendo Luis Cláudio Lula da Silva, o Lulinha. Segundo reportagem da revista piauí, Vorcaro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões à época) ao fundo responsável pela produção de um filme sobre a trajetória de Lula, tema das negociações entre Vorcaro e Flávio.
Aliados do presidente ainda reconhecem que, mesmo com a divulgação de mensagens que sugerem proximidade entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, crises desse tipo costumam recair sobre o governo vigente. Na visão de alguns apoiadores, o caso pode fortalecer candidaturas ao Senado cujo foco é o impeachment de Moraes.




