Da redação
Um relatório elaborado pela Polícia Civil de São Paulo aponta que o Discord pode levar até 17 dias para responder a pedidos emergenciais de remoção de conteúdo, de acordo com análise do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad). O documento registra casos de demora, como um episódio em que a resposta e retirada de uma sala contendo estupros virtuais e automutilações ocorreu somente após 190 horas. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, à Agência Nacional de Proteção de Dados e à Advocacia-Geral da União.
Segundo o Noad, a lentidão no atendimento possibilita a continuidade de crimes em tempo real, favorecendo a exposição prolongada das vítimas. Foram analisadas 63 solicitações ao Discord entre maio de 2025 e janeiro de 2026, incluindo alertas sobre incitação ao suicídio, tortura de animais, vazamento de fotos íntimas de menores e ameaças a escolas. O documento também afirma que a empresa fornece apenas endereços de IP, sem indicar a chamada “porta lógica de origem”, dificultando a identificação precisa dos envolvidos.
O Discord contestou as informações, afirmando ter identificado “solicitações duplicadas, uso de canais incorretos, falta de acompanhamento e casos em que medidas já haviam sido adotadas”. A empresa destacou ainda que segue “comprometida em manter um diálogo construtivo com o Noad e em garantir que os pedidos das autoridades sejam atendidos de forma rápida, eficaz e em conformidade com a legislação brasileira”.
As investigações detalham grupos com estrutura semelhante à de organizações criminosas, inclusive apontando um adolescente brasileiro, residente na França, suspeito de criar um grande acervo de exploração sexual infantil. O relatório cita ainda operações como NIX, NIX II e NIX III, ações judiciais e administrativas, suspensão das transmissões ao vivo pela Agência Nacional de Proteção de Dados em 12 de agosto e retomada de procedimentos pelo Ministério Público em fevereiro de 2026. Nesta quarta-feira (2), uma audiência na Justiça Federal em Brasília discute uma Ação Civil Pública para obrigar o Discord a adotar medidas de moderação e verificação de idade.




