Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu evitar sair em defesa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e insiste no apoio a uma reforma profunda do Judiciário para marcar distanciamento em relação à crise no Supremo, segundo interlocutores. Lula elegeu o presidente do Supremo, Edson Fachin, como principal interlocutor no processo, chamando-o de amigo em evento ocorrido na sexta-feira (4).
De acordo com aliados, o objetivo de Lula é dissociar seu governo da crise no Supremo Tribunal Federal, foco de manifestações convocadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Avenida Paulista para a segunda-feira (7), que defendem o impeachment de Moraes. O presidente tem afirmado que Fachin é “quem manda na casa”, indicando que o ministro deve liderar a solução para o impasse.
Lula também busca evitar sua associação com Moraes, intensificada por seus adversários, especialmente Flávio Bolsonaro. Em seu discurso, Lula afirmou: “Quando os filhos dentro de casa estão em desordem, quem manda na casa é quem resolve”, referindo-se a Fachin. O presidente declarou ainda que “ninguém em nome da democracia pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”, afirmação apontada nos bastidores como um recado para Moraes e demonstração de desconfiança em relação a André Mendonça.
A proximidade entre Lula e Moraes ganhou destaque após o petista afirmar, durante o período eleitoral de 2022, que o ministro foi um homem de “coragem estupenda” e teve “comportamento exemplar” como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, garantindo a lisura das eleições. O relacionamento se manteve durante o processo que investigou a tentativa de golpe, que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.




