Início Brasil Estudo aponta indícios de fraude sistêmica no Provão Paulista para universidades estaduais

Estudo aponta indícios de fraude sistêmica no Provão Paulista para universidades estaduais


Da redação

Um estudo realizado pela Rede Escola Pública e Universidade, composta por professores e pesquisadores de instituições estaduais, analisou o desempenho dos estudantes no Provão Paulista e apontou indícios de “fraude sistêmica” nos resultados da edição aplicada nas escolas públicas de São Paulo. Os pesquisadores identificaram que 4.305 estudantes apresentaram saltos “extraordinariamente elevados e improváveis” de desempenho entre as edições do exame. A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo afirmou que “resultados estatisticamente atípicos, isoladamente, não podem ser tratados como evidência de fraude” e questionou a metodologia do estudo.

De acordo com a análise, metade dos casos considerados atípicos ocorreu em 50 das 5.500 escolas da rede, e metade deles ficou concentrada em oito das 91 diretorias regionais de ensino. Os pesquisadores detectaram ao menos nove escolas com mais de 75% dos alunos do 3º ano, em 2025, com desempenho fora do padrão. Em uma escola, 45 dos 46 alunos apresentaram saltos superiores a três desvios-padrão. O objetivo do estudo, segundo Leonardo Crochik, professor do Instituto Federal de São Paulo, não é apontar responsáveis, mas evidenciar possíveis falhas no modelo e na aplicação do Provão Paulista.

O relatório afirma que desde a primeira edição do exame foram registradas denúncias de vazamento de provas e uso de celulares durante a aplicação. Segundo os pesquisadores, os resultados incomuns ficaram muito acima do esperado e se concentraram em poucas unidades. Para eles, há conflito de interesse porque o Provão também serve para avaliar escolas e conceder bonificações ou punições a professores e diretores. A Fundação Vunesp, responsável pela confecção da prova, afirma adotar procedimentos rigorosos de segurança.

Entre os estudantes da rede estadual, a mediana de acertos no exame variou entre 23 e 30 questões, enquanto alunos de Etecs e redes municipais tiveram medianas de 29 a 46. No último processo seletivo, 11,3% dos aprovados estudaram em instituições com alta incidência de resultados atípicos. As universidades estaduais de São Paulo atribuíram à Secretaria Estadual de Educação e à Fundação Vunesp a responsabilidade pelo exame, e a USP não respondeu aos questionamentos.