Da redação
A Polícia Federal investiga a Marmaris Corretora de Câmbio, localizada em uma galeria da avenida Paulista, em São Paulo, por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio do chamado dólar-cabo, mecanismo clandestino de transferências internacionais. Conforme a corporação, o proprietário da corretora, Marcos Alexandre Agustoni, exerceu “papel crucial” em movimentações financeiras ligadas ao tráfico internacional de drogas.
Segundo a Polícia Federal, a Marmaris teria integrado o sistema criminoso para internalizar recursos provenientes do exterior, não registrados no sistema bancário oficial. Buscas na corretora resultaram na apreensão de R$ 120,5 mil, US$ 25,9 mil (R$ 132 mil) e 2.625 euros (R$ 15,5 mil), além de computadores e celulares. Agustoni ficou oito meses foragido e, após ser detido, foi solto sob medidas cautelares, entre elas uso de tornozeleira eletrônica. A defesa afirma que o empresário “não tem qualquer ligação com o tráfico de entorpecentes” e responde apenas por supostos atos financeiros.
A PF afirma ainda ter identificado mensagens que apontam relação de Agustoni com remessa equivalente a US$ 1,7 milhão para ser recebido em Roterdã, na Holanda, e conversas sobre rotas internacionais do tráfico. Agentes expulsos da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota), da Polícia Militar paulista, fariam a segurança do estabelecimento, mas a PF não identificou quem são esses envolvidos. O processo segue em fase inicial, com outros nove investigados, e o Ministério Público Federal conduz inquérito paralelo sobre lavagem de dinheiro, o que a defesa critica.
As investigações sobre uso de casas de câmbio também se repetem em Santa Catarina, onde a Polícia Federal abriu inquérito contra o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), aliado do Comando Vermelho. O empresário Maycon Marcos, dono da Smart Business, e Ângelo Scotti Júnior, líder da organização, são alvos por utilizarem pagamentos em euro e transferências a partir de criptomoedas para remeter valores ao Brasil. Os advogados dos acusados dizem aguardar acesso integral aos autos para se manifestar.




