Da redação
A diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou o pedido da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) para ampliar as operações do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, após as 23h em situações de “contingência sistêmica”, como eventos climáticos e problemas operacionais significativos. Segundo a decisão, a autorização vale somente para voos previamente agendados quando houver necessidade de conclusão parcial ou completa das viagens.
Apesar da manutenção do horário regular de funcionamento das 6h às 23h em dias normais, associações de moradores expressam preocupação com a mudança. Integrantes dessas associações temem o aumento da frequência dessas exceções. Conforme dados da concessionária Aena, sete ampliações de funcionamento ocorreram entre 2025 e junho de 2026. No mesmo período, as reclamações de barulho mais do que dobraram em três anos anteriores.
A Abear apresentou o pedido de deliberação em maio. Em paralelo, trabalha na elaboração de uma carta de acordo operacional com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a Aena e as companhias aéreas Azul, Gol e Latam, com o objetivo de fixar critérios objetivos para a operação em casos excepcionais. A deliberação foi incluída como extrapauta, com manifestação de votos na diretoria da Anac entre 1º e 4 de setembro. A relatoria ficou a cargo de Cláudio Beschizza Ianelli, acompanhado pelo diretor-presidente Tiago Chagas Faierstein e pelos demais membros do colegiado.
Entre os eventos citados para justificar a medida estão a evacuação do aeroporto em abril após suspeita de vazamento de gás na área de controle de tráfego aéreo e um temporal com ventos próximos a 100 km/h em dezembro de 2025, que afetaram mais de 120 mil passageiros. A Superintendência de Infraestrutura Aeroportuária recomendou o novo entendimento para resposta adequada a eventos excepcionais, visando evitar “cascata de impactos operacionais”, como arremetidas, alternâncias e retornos ao portão.





