Da redação
João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag, afirmou em delação premiada à Procuradoria-Geral da República que fundos geridos pela empresa foram utilizados para ocultar pagamento de propina de Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas. O acordo ainda aguarda homologação do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com pessoas com conhecimento da colaboração, Mansur detalhou o uso de fundos de investimento do Master e a atuação de intermediários ligados a Vorcaro, usados como laranjas. Os investigadores apontam que parte do dinheiro desviado está em offshores fora do Brasil. O acordo prevê que tais valores possam ser repatriados sem necessidade de negociação com autoridades de outros países, evitando a retenção de percentual pelas nações onde os recursos estão.
A defesa de Vorcaro informou que não teve acesso aos anexos da colaboração e não se manifestou. A defesa de Mansur também não comentou o caso. Conforme a apuração, Mansur concordou em pagar multa de R$ 40 milhões. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de ocultar pagamentos ilícitos em imóveis a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, que está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.
Paralelamente, Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, também firmou delação com a PGR, relatando remessas internacionais e entrega de dinheiro em espécie a Vorcaro. Após operação da Polícia Federal e liquidação da Reag pelo Banco Central por irregularidades financeiras, investigadores consideram que essas colaborações restringem as possibilidades de negociação para Vorcaro, que segue preso e argumenta ser perseguido pelo Banco Central.





