Início Mundo Escândalo de Fernando Cerimedo envolve corrupção e tentativa de feminicídio na Bolívia

Escândalo de Fernando Cerimedo envolve corrupção e tentativa de feminicídio na Bolívia


Da redação

Fernando Cerimedo, argentino de 45 anos e ex-assessor do presidente boliviano Rodrigo Paz, foi detido em Santa Cruz, investigado por tentativa de feminicídio após sua companheira, a advogada boliviana Nadia Beller, ser baleada por homens disfarçados de entregadores de comida. Beller, que afirmou estar grávida, sobreviveu ao ataque e acusou Cerimedo de ser o mandante, alegando que ele queria evitar que ela revelasse sua ligação com setores do poder. De acordo com o Ministério Público, investigações apontam mensagens no telefone de Cerimedo sugerindo envolvimento no crime.

A repercussão do caso alcançou outros países, onde Cerimedo atuou em campanhas políticas, inclusive para Jair Bolsonaro no Brasil, Javier Milei na Argentina e Nasry Asfura em Honduras. Segundo Marcela Ríos, diretora regional da IDEA Internacional, “as redes dos grupos de extrema-direita são transnacionais, que estão fortemente conectadas”. Promotores encontraram cerca de US$ 43 mil em espécie em um imóvel ligado a Cerimedo em La Paz, além de aparelhos associados a uma suposta “fazenda de bots”. Ele também responde a investigações de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e suposta proteção ao narcotráfico por facilitar a liberação de aviões apreendidos.

Após o episódio, Beller fez novas denúncias à imprensa, acusando Cerimedo de agressão física e envolvimento com narcotraficantes. Ela declarou à emissora DTV temer por sua vida, afirmando: “Se eu não der esta declaração, porque o que ele quer é me calar, eles vão vir e vão terminar de me matar”. Além disso, disse ter presenciado supostos atos de corrupção no governo de Paz, com participação de Cerimedo em contratos públicos e administração de combustíveis. O presidente minimizou a relação, argumentando: “Nunca houve uma relação de trabalho direta”.

Além da Bolívia, Cerimedo enfrenta investigações em outros países. No Brasil, foi investigado por possível integração em “milícia digital” voltada a questionar a eleição presidencial de 2022. No Chile, autoridades apuram crimes informáticos durante o plebiscito constitucional de 2020. No México, a presidente Claudia Sheinbaum afirmou que o veículo fundado por Cerimedo serve ao “esquema de difusão de notícias falsas”. A cientista política Daniela Osorio Michel e Marcela Ríos destacam a atuação transnacional e discreta desses grupos de comunicação.