Da redação
O Supremo Tribunal Federal enfrenta uma crise inédita diante da sessão prevista para terça-feira (15), que deve tratar das providências relativas ao relatório da Polícia Federal, divulgado por André Mendonça, com detalhes sobre relações entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo informações de bastidores em Brasília, espera-se que a reunião defina o futuro de Moraes, que poderá ou não ser investigado a partir das novas revelações.
Entre as possibilidades discutidas estão o arquivamento do relatório por suposta ilicitude na obtenção das provas, o envio do material à Procuradoria-Geral da República ou a abertura de uma investigação formal das suspeitas mencionadas. Antes de debater o mérito do relatório, os ministros também podem examinar se Paulo Gonet, procurador-geral, deve ser afastado do caso devido a menções no material divulgado a possíveis relações dele com Vorcaro.
De acordo com o advogado Sérgio dos Anjos, professor de Processo Penal, “diversas associações e órgãos de classe pediram o afastamento do PGR. Esse afastamento, de forma isolada, também pode ocorrer por decisão do plenário, desde que fundamentado no Regimento Interno, em razão de eventual impedimento ou suspeição”. Nos bastidores do Supremo, especula-se que a corte se encontra dividida em três grupos: pró-investigação, pró-Moraes e dois ministros considerados incógnitas.
Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Dias Toffoli são apontados como integrantes do grupo favorável a Moraes, enquanto Luiz Fux, Mendonça e, possivelmente, Kassio Nunes Marques integram o grupo defensor de apuração. Toffoli não deve votar, pois declarou-se impedido em outro caso que envolve o grupo de Vorcaro. Fachin e Cármen Lúcia aparecem como possíveis responsáveis por desempatar o julgamento. A sessão está prevista para as 10 horas.





