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ONU alerta para uso de jogos e redes sociais por terroristas no recrutamento juvenil


Da redação

Propagandas de grupos terroristas estão cada vez mais presentes em redes sociais, plataformas de jogos online e comunidades virtuais, com foco no recrutamento de crianças e jovens, segundo relatório do Comitê Contra o Terrorismo da Organização das Nações Unidas. O documento aponta que a estratégia vai além da simples divulgação de mensagens, incluindo o desenvolvimento ou modificação de jogos com temática extremista violenta para inserir narrativas radicais em formatos familiares à juventude.

O levantamento indica que organizações terroristas buscam explorar o crescimento do acesso digital na África, com mais de 350 milhões de usuários de plataformas de jogos no continente. Especialistas afirmam que redes terroristas e criminosas também podem passar a utilizar microtransações desses jogos para movimentar e ocultar recursos financeiros. Além disso, a propaganda é disseminada em plataformas como Discord, Twitch e Steam, apontadas como pouco regulamentadas e propícias à formação de comunidades de recrutamento.

O documento destaca o uso de inteligência artificial para espalhar desinformação e ideologias extremistas nas redes sociais. Os grupos direcionam jovens de plataformas convencionais para ambientes virtuais mais fechados, onde há maior exposição a conteúdos violentos, como vídeos de execuções e imagens de vítimas em massa, conhecidos como gore. Segundo o relatório, o choque e o espetáculo são ferramentas para impulsionar o engajamento e aumentar a visibilidade de mensagens radicais.

O texto ressalta que a propaganda digital se tornou elemento central na estrutura operacional de grupos terroristas, influenciando recrutamento, arrecadação de fundos e administração de territórios. Em análise da publicação Al-Naba, enviada pelo grupo autodenominado Estado Islâmico, houve aumento de referências a Moçambique e ataques contra comunidades cristãs, mesmo sem correspondência obrigatória com ações no campo. O documento enfatiza que a ausência de fiscalização e limitações em sistemas de moderação, sobretudo em idiomas africanos, favorecem a expansão dessas estratégias.