Por Alex Blau Blau
Comprovantes entregues à Polícia Federal registram despesas com serviços, hospedagem e transferências durante período de produção do filme sobre Jair Bolsonaro
Documentos encaminhados à Polícia Federal revelam pagamentos realizados pela produtora responsável pelo filme Dark Horse em benefício de assessores vinculados ao gabinete do deputado federal Mario Frias. As movimentações ocorreram durante o período de gravação da produção cinematográfica inspirada na trajetória do ex presidente Jair Bolsonaro.
Entre os registros está a movimentação de R$ 24,8 mil relacionada à assessora parlamentar Rareska Metsker. Parte desse valor, R$ 14,8 mil, foi destinada à empresa da mãe da assessora por serviços de produção de vídeo atribuídos a Rareska nos documentos apresentados.
Também aparecem despesas relacionadas à permanência da assessora em São Paulo. Uma hospedagem entre 21 de outubro e 7 de dezembro de 2025 teria custado aproximadamente R$ 9,4 mil. Outro comprovante registra transferência de R$ 619,16 referente ao reembolso de uma diária na capital paulista.
Os pagamentos ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, período em que Dark Horse estava sendo gravado no Brasil.
A documentação apresenta ainda uma transferência de R$ 404,32 para Luiz Claudio Faria Velloso, também assessor de Mario Frias na Câmara dos Deputados. Ele foi alvo recentemente de mandado de busca e apreensão determinado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Os comprovantes foram apresentados à Polícia Federal pela defesa da produtora Go Up Entertainment e de sua representante legal, Karina Ferreira da Gama. O material integra uma das investigações que tramitam no Supremo relacionadas ao financiamento de Dark Horse.
O filme está no centro de duas frentes de investigação. Uma delas, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, apura repasses do Banco Master destinados ao financiamento da produção. Outra, conduzida pelo ministro Flávio Dino, investiga questões relacionadas ao uso de emendas parlamentares no projeto.
Com a retirada do sigilo de parte das apurações, documentos relacionados aos repasses passaram a ser conhecidos. A investigação também alcança movimentações que somariam R$ 61 milhões atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme.
Na semana passada, uma operação da Polícia Federal teve entre os alvos Mario Frias e Karina da Gama. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
As investigações permanecem em andamento e deverão esclarecer a origem, a destinação e as circunstâncias dos recursos utilizados na produção de Dark Horse, além da eventual participação dos envolvidos nas movimentações identificadas pelos investigadores.





