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Remessas de migrantes já equivalem a 12% do PIB em países lusófonos, diz ONU


Da redação

A Organização das Nações Unidas lançou o relatório “Enviando Dinheiro para Casa”, que aponta que as remessas internacionais alcançaram 729 bilhões de dólares em 2025, praticamente o dobro do valor de uma década atrás. Segundo o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 bilhão de familiares com estes recursos, desempenhando papel central para o bem-estar de famílias em quatro continentes.

Pedro de Vasconcelos, gestor do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, afirmou que experiências do passado, como o impacto das remessas no sul da Europa entre as décadas de 1960 e 1980, podem guiar políticas atuais de inclusão financeira. “Isto são lições com já mais de 20, 30 anos que se podem replicar”, declarou Vasconcelos. Ele destacou ainda que a vinculação das remessas a produtos financeiros, como carteiras digitais, potencializa o acesso a crédito e poupança.

Entre os países lusófonos, o Brasil liderou o recebimento absoluto de recursos, com mais de 4,75 bilhões de dólares em 2025. Cabo Verde, Timor-Leste e Guiné-Bissau apresentam altas taxas de dependência, com remessas equivalendo a 12%, 10% e 10% do Produto Interno Bruto, respectivamente. Em São Tomé e Príncipe, o percentual chega a 8%. Em Timor-Leste, as remessas representam 96% do valor das exportações nacionais; em São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, 62%.

Angola registrou aumento de quase 1.200% no volume das remessas entre 2016 e 2025. Portugal, descrito como ponto estratégico de circulação migratória, conecta trabalhadores lusófonos na Europa e África. O custo de envio varia: em Angola, a taxa média chega a quase 23% por operação; para São Tomé e Príncipe e Brasil, fica em torno de 4%, conforme o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.