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Sudão do Sul enfrenta risco de fome devido a guerra, crise econômica e clima extremo


Da redação

Um El Niño considerado atípico e mais intenso, combinado com guerra e colapso econômico, agravou a crise humanitária no Sudão do Sul. Segundo o vice-diretor executivo de Operações de Programas do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Matthew Hollingworth, mais de metade da população tenta sobreviver em meio à iminente escassez internacional de ajuda humanitária.

Hollingworth afirmou que mais de 7,8 milhões de pessoas buscam alimentos, incluídas 2,2 milhões de crianças e 1,2 milhão de gestantes e lactantes em déficit nutricional. Ele alertou que, sem aporte emergencial de recursos, mais de um milhão de pessoas vulneráveis perderão assistência vital, conforme avaliação realizada em território sul-sudanês.

O agravamento do quadro resulta também do fluxo semanal de cerca de 3 mil refugiados e repatriados provenientes do Sudão, país vizinho afetado por conflito armado. Em cidades como Renk, famílias caminham por dias ou semanas para buscar abrigo. O déficit de fundos reduziu drasticamente a capacidade de resposta das agências, resultando em armazéns quase vazios em localidades como Malakal. Transportes comerciais e humanitários enfrentam cobranças armadas e extorsões, encarecendo a logística e levando comerciantes a abandonar as rotas fluviais.

Efeitos extremos do clima agravam o impacto. Terras agrícolas no Canal Pigi, estado de Jonglei, permanecem alagadas sete anos após as primeiras grandes enchentes, enquanto a seca provocada pelo “Super El Niño” mantém a água estagnada e imprópria para consumo. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, há um déficit de US$ 86 milhões dos US$ 416 milhões necessários para garantir o apoio nos próximos seis meses ao Sudão do Sul e regiões vizinhas, como Sudão, Eritreia, Etiópia, Uganda e Quênia.