Da redação
O governo dos Estados Unidos afirmou que o Brasil falhou em confrontar facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. Segundo documento do governo Donald Trump enviado ao Congresso americano, o país passou a ser descrito como hub logístico do tráfico de cocaína, embora não tenha sido incluído formalmente em listas de grandes produtores ou rotas de narcotráfico.
O relatório destacou que, no entendimento americano, enquanto outros países do hemisfério ocidental adotam medidas contra o tráfico, o governo brasileiro não estaria enfrentando adequadamente essas organizações. Anchieta Nery, diretor de operações e inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, afirmou que a classificação das facções como terroristas integra pressão política para alinhamento de países da região aos Estados Unidos. Para Nery, a declaração também pode abrir espaço para sanções a instituições financeiras do Brasil.
Márcio Christino, procurador do Ministério Público de São Paulo e ex-integrante do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, avaliou que a crítica de Trump possui caráter essencialmente político. “A palavra certa é especulação”, afirmou Christino, ressaltando que o combate ao narcotráfico ocorre diariamente no Brasil. Segundo o procurador, não procede a ideia de que o país seja rota para vários mercados, destacando que a principal via de exportação ilegal é pelo Atlântico com destino à Europa.
Já o juiz Carlos Eduardo Lemos, titular de uma vara criminal no Espírito Santo e professor da Faculdade de Direito de Vitória, concordou que PCC e Comando Vermelho deixaram de ser um problema local e se transformaram em organizações transnacionais. Lemos defendeu que o Brasil debata instrumentos jurídicos e a possível classificação dessas facções como grupos terroristas, alertando sobre a dimensão do problema.





