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Ministério da Justiça e PF veem viés político-eleitoral em críticas de Trump ao Brasil


Da redação

Integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal afirmaram que não existe fato novo sobre a atuação de facções criminosas que justifique a manifestação recente do governo Donald Trump, que acusou o Brasil de falhar no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Segundo essas autoridades, a declaração americana, enviada na terça (15) ao Congresso dos Estados Unidos, tem caráter político-eleitoral.

De acordo com os membros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvidos sob reserva, o Brasil investiu R$ 11 bilhões no combate ao crime organizado e realizou operações relevantes. Nesta quarta-feira (16), as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, coordenadas pela Polícia Federal, deflagraram ação simultânea em 19 estados contra grupos investigados por tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.

A avaliação ocorre no contexto da campanha presidencial no Brasil e após manifestações de autoridades do governo Trump em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo essas fontes, a declaração da Casa Branca também pode sinalizar possível movimentação para adoção de sanções da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal.

No relatório ao Congresso americano, a gestão Trump passou a citar nominalmente o Brasil como alvo de reprimenda, mudança em relação ao ano anterior, quando o país não foi mencionado. Em maio, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o PCC e o Comando Vermelho como “terroristas globais especialmente designados” em decisão assinada no dia 28 de maio. Em reunião realizada posteriormente, Flávio Bolsonaro solicitou ao ex-presidente americano a classificação dessas facções como organizações terroristas internacionais, medida que recebeu oposição de Lula.