Da redação
Empresas privadas de segurança e serviços militares passaram a atuar com tecnologias de ponta, como vigilância digital, armas autônomas e satélites, em busca de lucro, conforme relatório apresentado no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, em Genebra. Segundo o Grupo de Trabalho da ONU sobre mercenários, essa transformação resulta em “crescente dependência dos Estados” em inteligência artificial, aparatos de vigilância e capacidades cibernéticas oferecidas por fornecedores comerciais.
Os chamados “mercenários cibernéticos” utilizam tecnologias avançadas para executar sabotagens, espionagem virtual e ataques com malware e ransomware. De acordo com o documento, empresas privadas realizaram campanhas contínuas de ataques com drones, ligadas a 141 operações e pelo menos 1.243 mortes relatadas entre março de 2025 e janeiro de 2026, em diversas regiões. Na América Latina e no Caribe, grupos criminosos não estatais que recorrem a mercenários fizeram uso documentado de drones armados.
Sistemas assistidos por inteligência artificial têm potencializado o volume e a velocidade de operações ofensivas, reduzindo a verificação humana a poucos segundos. Em 2025, agentes autônomos de inteligência artificial teriam realizado cerca de 90% do ciclo de intrusão em uma operação cibernética, segundo o relatório. Armas autônomas podem criar listas de alvos com base em vieses raciais, religiosos ou ideológicos, ampliando riscos.
O relatório alerta ainda para a aplicação de tecnologias de vigilância, reconhecimento facial, bancos de dados biométricos e monitoramento com inteligência artificial, frequentemente usados para cercear defensores de direitos humanos, ativistas e comunidades minoritárias. As informações coletadas facilitam prisões, detenções arbitrárias e operações letais, dificultando o acesso à justiça e contribuindo para a impunidade. O texto recomenda regulação rigorosa e proibições à atuação desses grupos e tecnologias.





