Da redação
Promotores do Ministério Público de São Paulo apresentaram denúncia contra 19 suspeitos de envolvimento em uma rede clandestina de serviços financeiros que teria lavado dinheiro para integrantes do Primeiro Comando da Capital, conforme informações das operações Janus e Bazaar. Entre os denunciados estão Leonardo Meirelles, Meire Bonfim Poza, Raphael Flores Rodrigues – dois deles condenados na Operação Lava Jato –, além de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, e Alexandre Salles Brito, o Buiú.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a estrutura, chamada de “Banco do Crime”, usaria empresas fictícias e contas bancárias de pessoas sem capacidade financeira para movimentar valores do tráfico de drogas e outros crimes. As investigações indicam que operadores financeiros aproveitavam falhas na fiscalização, corrupção de gerentes bancários e de servidores públicos para viabilizar a lavagem de dinheiro. O serviço também teria sido ofertado a colaboradores do PCC, como um suspeito de atuar no tráfico internacional de cocaína e um operador de criptomoedas.
Segundo o Gaeco, mensagens interceptadas mostram que Léo do Moinho orientava depósitos em contas indicadas por ele para ocultar a origem dos recursos. A Promotoria pede indenização de R$ 10 milhões, destinada a fundos públicos. O advogado Rodrigo Antunes Benetti, que defende Léo do Moinho, afirmou que “restará demonstrada a inocência do senhor Leonardo” e que nenhuma acusação resultou em condenação, pois ele foi declarado inocente. O advogado José Antônio Chiaradia, que representa Cléber Azevedo dos Santos, também denunciado, declarou que as alegações “não passam de ilações, sem qualquer fundamento ou provas”. As defesas de Brito, Meirelles e Poza não foram localizadas.
Durante a apuração, conversas envolvendo coronéis da Polícia Militar de São Paulo, como o ex-comandante-geral José Augusto Coutinho e o oficial da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, foram enviadas à Justiça Militar para análise de possíveis crimes. Pereira Martins participava de um grupo de mensagens com suspeitos de lavagem, e os diálogos teriam demonstrado relações próximas, incluindo a organização de viagens. A defesa de Pereira Martins não foi localizada. Coutinho foi citado em conversas sobre serviços de “troca de TED por dinheiro vivo” com ligações ao PCC.
Os promotores informaram à Justiça que enviaram a íntegra da investigação às autoridades militares. Os oficiais da Polícia Militar não foram investigados pelo Gaeco. Em julho, ao se tornar pública a menção de Coutinho, sua defesa afirmou que o coronel atuou com “integridade e correção” na corporação e que confia na demonstração de que não houve qualquer envolvimento ilícito de sua parte.





