Da redação
Daniel Vorcaro ampliou a tradição de festas voltadas para autoridades em Brasília, promovendo encontros marcados por ostentação e luxos. Essas reuniões privadas, segundo relatos colhidos entre lideranças da capital federal, tornaram-se parte de sua estratégia para conquistar confiança, proximidade e lealdade de figuras influentes.
De acordo com um ex-deputado ouvido pela reportagem, esses eventos serviam para “formar grupo de domínio” e possibilitavam ao anfitrião maior controle sobre o círculo de convidados. Outro ex-parlamentar declarou, sem apresentar provas ou citar nomes, que “em várias festas de Brasília com autoridades há drogas também”, em referência a festas em geral na cidade.
O método de Vorcaro consistia em criar ambiente descontraído para que autoridades relaxassem e, assim, estreitassem laços que nenhum gabinete proporciona. Ministros do Supremo Tribunal Federal, segundo participantes, passavam a ser chamados pelo primeiro nome, e relações profissionais se convertiam em proximidade pessoal.
O modelo segue tradições anteriores de empresários de setores como construção civil e frigoríficos, mas Vorcaro, então um jovem mineiro, elevou o padrão das celebrações. No período posterior à Operação Lava Jato, grandes empresas chegaram a investir em programas de “governança e compliance”, mas essa moda perdeu força após o final da operação no governo de Jair Bolsonaro.





