Da redação
Chefes de Estado de vários países vão se reunir em Nova York para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, que terá início com os discursos na terça-feira (22). Segundo diplomatas e especialistas, a organização enfrenta uma crise sem precedentes, marcada por problemas orçamentários e questionamentos ao multilateralismo.
De acordo com a direção da entidade, um “iminente colapso financeiro” foi anunciado no início do ano, devido ao atraso ou redução de contribuições obrigatórias e voluntárias por parte de vários países desde o ano passado. Os Estados Unidos, principais financiadores, estão em débito de mais de US$ 1 bilhão, porém fizeram um pagamento de US$ 725 milhões em 16 de um mês recente.
A crise provocou a redução e até o encerramento de programas humanitários. Conforme a organização, o programa de resposta ao HIV sofreu queda de 23% na ajuda mundial em 2025, além da diminuição de 22% no número de testagens e superior a 90% na distribuição de camisinhas. A ajuda humanitária para crises como a do Sudão, em guerra civil há mais de três anos, corre risco de colapso por desfinanciamento nas próximas semanas, segundo a própria ONU.
Além das questões financeiras, o Conselho de Segurança permaneceu bloqueado por sucessivos vetos dos membros permanentes, entre eles Estados Unidos e Rússia, que participam dos maiores conflitos atuais. O secretário-geral António Guterres e diversos líderes, incluindo o Brasil, defendem mudanças na representação do órgão para refletir a atual configuração geopolítica, tema endereçado pelo plano ONU80, lançado no ano passado para promover reformas e cortes de gastos.





