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Ameaças e decisões judiciais restringem cobertura eleitoral de veículos regionais no Norte e Nordeste


Da redação

Veículos de imprensa regional enfrentam ações judiciais, ameaças e ataques após publicarem reportagens desfavoráveis a candidatos nas eleições no Norte e no Nordeste do país. Em Santarém (PA), o portal Tapajós de Fato suspendeu sua cobertura eleitoral depois de agressões físicas e psicológicas contra sua equipe, incluindo o esfaqueamento de um jornalista e o envio da cabeça de um gato a um colaborador.

Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), essas pressões violam o exercício do jornalismo, restringem a liberdade de imprensa e impactam negativamente a democracia. Ana Carolina Moreno, presidente da Abraji, declarou: “Um cenário em que jornalistas desistem de cobrir um tema relevante por medo de perder a própria vida representa uma derrota para qualquer democracia. A perda para a sociedade é incalculável e fruto da pouca importância que as autoridades dão às ameaças e aos ataques a jornalistas”.

Em Alagoas, o portal Mídia Caeté foi obrigado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) a retirar do ar uma reportagem sobre o suposto envolvimento do deputado federal Rafael Brito (MDB-AL) em uma infração eleitoral, além de receber multa de R$ 5.000. Wanessa Oliveira, gerente editorial do Mídia Caeté, afirmou que o veículo não recebe verba publicitária e que a multa impacta o orçamento da redação, que funciona em esquema cooperativo.

O TRE-AL também determinou, em decisão liminar, que o jornal Tribuna do Sertão remova publicação sobre investigação no Instituto de Previdência dos Serviços Públicos de Maceió e recolha exemplares impressos. A Associação Nacional de Jornais classificou a decisão como “grave violação à liberdade de imprensa” e censura vetada pela Constituição de 1988.