Da redação
Fábio Vieira, estudante do 9º ano do Colégio Militar de Brasília, enfrenta diariamente longos trajetos entre a escola, localizada na Asa Norte, e sua casa no Setor P Norte, divisa entre Ceilândia e Sol Nascente. O ambiente que encontra em casa contrasta com o do Plano Piloto: ruas áridas, quase sem árvores e expostas ao calor intenso, cenário que reflete desigualdade socioambiental, segundo moradores e especialistas.
O ativista Newton Vieira, policial militar e pai de Fábio, afirma que a falta de arborização na periferia é resultado do chamado racismo ambiental. Conforme relata, moradores do Setor P tentam plantar árvores por conta própria, mas a ausência de apoio e orientação governamentais faz com que as raízes destruam calçadas, agravando problemas de infraestrutura. Vieira diz que, sem políticas públicas, a dignidade da população é afetada e que “existe, sim, um racismo ambiental”.
A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) informou que o plantio de árvores segue critérios técnicos, e que podas e supressões só ocorrem após avaliações autorizadas. Segundo a empresa, limitações físicas e ocupação irregular dificultam o aumento de áreas verdes nas periferias. No entanto, a Novacap afirma realizar ações contínuas de arborização com participação das administrações locais, vistoria técnica e seleção criteriosa das áreas prioritárias.
Especialistas da Universidade de Brasília (UnB) apontam que o Sol Nascente figura entre as regiões com menores índices de áreas verdes, obtendo nota 1,7 no Índice Urbano de Desempenho Ambiental do Distrito Federal em 2021, contrastando com a nota 9,5 do Plano Piloto. Dados do Map Biomas mostram que, na última década, temperaturas anuais máximas no Sol Nascente chegaram a 34,9°C, contra 31,7°C no Lago Sul, agravando problemas de saúde e qualidade de vida.





