Da redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na sede das Nações Unidas, em Nova York, que o país utilizará a força militar, se necessário, para proteger seus interesses na América Latina e Caribe. As afirmações ocorreram durante discurso de quase 40 minutos na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Trump afirmou: “Nossas ações na Venezuela provam que os EUA não permitirão mais que ameaças à América ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA”.
No pronunciamento, Trump destacou a invasão promovida pelos Estados Unidos contra a Venezuela e comemorou o acordo petroleiro firmado com a presidente encarregada Delcy Rodríguez, que concede até 21% do petróleo venezuelano a uma empresa ligada ao Pentágono. Ele defendeu: “Foi uma guerra, mas talvez seja o maior negócio já realizado. Ao vencedor pertencem os espólios; todos vocês já ouviram isso”. Segundo Trump, a operação resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, acusado por Washington de chefiar o suposto “Cartel de Los Soles”, grupo cuja existência não é unanimidade entre especialistas.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após a prisão de Maduro, retirou a acusação formal sobre envolvimento com o cartel. Na semana anterior ao discurso, o governo norte-americano também retirou a Venezuela da lista de países que não combatem o narcotráfico, onde figurava desde 2005. Durante a fala, Trump ameaçou novamente Cuba, levando à retirada da delegação cubana do plenário em protesto.
Trump ainda comparou organizações criminosas latino-americanas ao ISIS, grupo terrorista do Iraque e da Síria. Segundo ele, “os cartéis são o ISIS do Hemisfério Ocidental”, justificando ações militares na região. O presidente também criticou o México, destacando que o país é “epicentro da violência dos cartéis” e cobrando o controle do território pelo governo de Claudia Sheinbaum. A presidenta mexicana tem rebatido as declarações, afirmando que o combate aos cartéis não pode servir de justificativa para interferências externas. Antes do discurso de Trump, Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a autonomia da América Latina e do Caribe e criticou intervenções estrangeiras na região.





