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Padre Eduardo Peters defende separação entre fé e política em igreja de Brasília


Da redação

O padre Eduardo Peters, da Arquidiocese de Brasília, realizou um encontro com fiéis para discutir fé e política na igreja católica onde atua, logo após a missa das seis da tarde de uma terça-feira. O religioso, com 23 anos de sacerdócio, afirmou que a Igreja não indica candidatos e que “não existe ninguém no meio político que possa representar de maneira plena a Igreja”.

Durante o evento, que contou com a presença de três candidatos a deputado distrital e teve maior público que missas dominicais, cabos eleitorais de um candidato do Partido Liberal foram orientados a retirar banners do estacionamento e da entrada. Peters declarou: “A Igreja não é um partido político. O Evangelho não é um programa de governo. A missão da Igreja não consiste em conquistar o poder”. Ainda segundo ele, o sacerdote não deve “transformar o altar em palanque”.

O padre frisou que a divergência entre cristãos em períodos eleitorais é legítima e pode ser uma riqueza: “Dois católicos podem compartilhar o mesmo princípio moral e discordar honestamente sobre a melhor política pública para realizá-lo”. Ele também orientou que projetos de governo devem ser avaliados e destacou princípios como dignidade humana e bem comum como critérios inegociáveis na escolha dos candidatos.

Peters afirmou que “não é função da Igreja indicar qualquer candidato” e recomendou cautela em relação a propostas que reduzam a fé a postura social ou confundam o papel do Estado e da sociedade. Sobre o voto nulo, disse ser “uma hipótese a ser respeitada”, acrescentando: “não é pecado”, mas afirmou que “não recomendaria”.