Início Brasil Unicef aponta que pais ainda consideram palmada disciplina, não violência infantil

Unicef aponta que pais ainda consideram palmada disciplina, não violência infantil


Da redação

Muitos pais, mães e cuidadores ainda não enxergam palmadas e chineladas como violência, mas como método de educação, conforme levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em comunidades do Rio de Janeiro, Recife e Manaus. O estudo, que ouviu 214 pessoas, conclui que falta prevenção, orientação e apoio às famílias.

De acordo com a pesquisa, há uma distinção feita pelas famílias entre palmada e espancamento, sendo comum a percepção de que a violência só ocorre em casos considerados graves. Luiza Teixeira, especialista de Proteção à Criança do Unicef no Brasil, afirma que essa visão revela naturalização dessas práticas e desconhecimento da Lei Menino Bernardo, conhecida como Lei da Palmada.

Entre os entrevistados estavam pais, cuidadores e lideranças comunitárias: 123 participantes do Rio de Janeiro, 37 do Recife e 54 de Manaus. O Unicef aponta carência de estratégias não violentas para disciplinar, ações movidas pelo impulso durante episódios de birra e dificuldade de acesso das famílias a serviços públicos e orientação adequada.

A entidade ressalta que a criação dos filhos no país ainda é tratada como questão privada, contribuindo para o silêncio diante de situações de violência. A pesquisa recomenda a ampliação da prevenção, fortalecimento da capacitação dos profissionais da rede de proteção e campanhas de conscientização sobre limites sem violência. Psicóloga infantil Mara Gomes e a pedagoga Marília Paiva defendem o acolhimento, limites e diálogo como alternativas mais eficazes que a agressão.