Da redação
A 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, do Tribunal de Justiça do Ceará, revogou a prisão preventiva do bacharel em direito João Munhoz Neto, namorado da estudante de direito Isabelle Caracristi, encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, onde moravam. A decisão, conforme o órgão, atendeu manifestação do Ministério Público do Ceará e determinou medidas cautelares como distanciamento dos familiares da vítima, monitoramento eletrônico, proibição de se ausentar da comarca e recolhimento domiciliar noturno.
Segundo os autos, Munhoz Neto estava preso desde 22 de setembro, após solicitação da Polícia Civil motivada por “postura não colaborativa” e para apurar eventual “conduta de induzimento ou instigação ao suicídio”. Os advogados dos familiares de Isabelle publicaram nota afirmando receber a decisão com “profunda preocupação” devido ao impacto emocional sobre a família. Ressaltaram ainda que a liberdade não representa absolvição, tampouco o encerramento das investigações.
A advogada de Munhoz Neto, Lígia Peixe, declarou estar trabalhando para garantir que ele cumpra as condições cautelares e retorne em liberdade, negando qualquer acusação de violência ou controle psicológico. “Neste momento não estou raciocinando ainda, estou correndo atrás pelo menos para ver se ele ainda dorme em casa hoje”, disse. Os representantes da família de Isabelle informaram que vão requerer nova prisão preventiva caso haja descumprimento das determinações judiciais.
Áudios atribuídos a Isabelle, exibidos pelo programa “Fantástico” e cuja autenticidade foi confirmada pela defesa da família, mostram relatos da estudante sobre “ameaças diretas” do namorado e dificuldade de autonomia. Em depoimento à polícia, o advogado Rudá Carvalho relatou que Isabelle se sentia cerceada por Munhoz, inclusive em seu trabalho. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, Munhoz Neto “proibiu a entrada da família no condomínio” e buscou imediatamente o celular da vítima após o ocorrido.



