Da redação
A crise no Supremo Tribunal Federal, agravada por investigações sobre o caso Master e a aproximação de ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, provocou tensões com o Tribunal Superior Eleitoral, segundo apurado, às vésperas do primeiro turno e impactou a organização do debate da TV Globo. O conflito envolveu ministros identificados como próximos a Alexandre de Moraes e André Mendonça, ultrapassando o âmbito do Supremo e atingindo o centro da disputa eleitoral.
O plenário do STF se reuniu em 15 de setembro para discutir a abertura de investigação contra Moraes, mas a sessão foi interrompida após pedido de vista de Flávio Dino. Durante os debates, Gilmar Mendes direcionou críticas a Mendonça, responsável por expor Moraes, e a Nunes Marques, ambos do TSE, com alegações de motivação política. Gilmar também pediu o afastamento do presidente do TSE em razão de conversas com Vorcaro.
A crise se consolidou no TSE após decisão individual de Mendonça determinando a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro, do PL, à controvérsia de Nossa Senhora Aparecida. Antonio Tabet, um dos afetados, acionou Dino, que revogou a decisão. Em seguida, Luiz Fux, alinhado a Mendonça, anulou o despacho de Dino. A sucessão de decisões levou Nunes Marques a reclamar com Edson Fachin sobre suposta sobreposição de competência do STF frente à Justiça Eleitoral.
Para contornar o impasse, os presidentes das cortes encaminharam o tema ao plenário do TSE, que confirmou a decisão original de Mendonça. Em outro episódio, Fachin rejeitou o pedido do PL para afastar Dino de processos relacionados a Flávio Bolsonaro, Lula e às eleições. Quando a ministra Estela Aranha, indicada ao TSE por Lula, determinou a retirada do púlpito vazio de Jair Bolsonaro do debate, e após decisão de Gilmar Mendes para inclusão de Renan Santos, Flávio Bolsonaro anunciou sua ausência, e a TV Globo cancelou o evento.



