Da redação
A inteligência artificial e tecnologias digitais ampliaram o acesso de grupos criminosos a ferramentas sofisticadas, facilitando crimes em larga escala antes restritos a organizações com mais recursos, segundo análise do Instituto Inter-regional de Pesquisa sobre Crime e Justiça das Nações Unidas. O relatório aponta que a expansão de IA de código aberto, a oferta de serviços de programação e a criação de plataformas online, além da adoção de comunicações criptografadas e modelos de “cibercrime como serviço”, têm impulsionado golpes virtuais. Estimativas citadas indicam que perdas causadas apenas por golpes totalizaram US$ 1 trilhão em 2024.
O documento indica que cartéis latino-americanos, como o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração, no México, além do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital, no Brasil, diversificaram as operações para setores como agricultura, mineração, pesca e exploração de recursos naturais. De acordo com o instituto, tais organizações utilizam seu conhecimento em cadeias produtivas e vínculos com empresas e agentes corruptos para expandir atividades ilícitas. No contexto regional, estima-se que o crime custou à América Latina US$ 192 bilhões em 2022, o que representa 3,44% do Produto Interno Bruto, conforme o relatório.
Entre as consequências sociais, o estudo alerta para o aumento do recrutamento de crianças e adolescentes por redes criminosas e grupos armados na América Latina e Caribe. A Organização das Nações Unidas verificou o recrutamento e a utilização de 371 crianças na Colômbia em 2025, especialmente por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc-EP) e do Exército de Libertação Nacional, além de quase 900 menores no Haiti no mesmo período. O relatório aponta que a taxa de homicídios entre crianças e adolescentes no Equador cresceu 640% entre 2019 e 2023.
As respostas dos sistemas de Justiça, segundo o Unicri, incluem o uso crescente de tecnologias, como câmeras com inteligência artificial e reconhecimento facial, porém sem garantias de que mecanismos regulatórios acompanhem as inovações. O instituto enfatiza que erros gerados por sistemas automatizados podem ser incorporados a processos judiciais. Ainda conforme o relatório, o crime organizado continua a pressionar sistemas prisionais frágeis na América Latina e África Austral, reduzindo o controle estatal sobre prisões.



