Da redação
O tema das mudanças climáticas aparece de forma desigual nos programas de governo dos principais candidatos à Presidência da República. Conforme análise do Observatório do Clima, apenas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconhece a urgência da crise e propõe ações específicas para o desmatamento líquido zero até 2030 e avanço na substituição dos combustíveis fósseis.
Segundo o levantamento, Flávio Bolsonaro (PL) omite as mudanças climáticas, dando ênfase apenas à prevenção e resposta a eventos extremos sob a ótica da segurança hídrica e da Defesa Civil. Sua proposta é zerar o desmatamento ilegal até 2029, sem menção ao desmatamento legal. Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, afirmou que o programa de Flávio faz “22 menções nominais a Jair Bolsonaro ou ao governo Bolsonaro e 10 menções indiretas”, e criticou o histórico ambiental do governo do pai.
O ex-governador Ronaldo Caiado (União Brasil) reconhece no programa que as mudanças climáticas aumentam eventos extremos, propõe medidas de adaptação e se compromete a zerar o desmatamento ilegal até o fim da década. No entanto, não há propostas para combustíveis fósseis ou redução das emissões de gases de efeito estufa. Outros candidatos, como Augusto Cury (AVANTE), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (Missão), mencionam superficialmente temas como energias renováveis, mercado de carbono e fiscalizações ambientais, sem detalhamento de propostas.
A disputa eleitoral para o Congresso Nacional também foi destacada na análise do Observatório do Clima, já que dois terços das cadeiras do Senado e os 513 assentos da Câmara dos Deputados estarão em disputa. O perfil da nova legislatura será determinante para o avanço ou retrocesso de projetos ambientais e de ação climática no Brasil.



