Da redação
O Partido dos Trabalhadores divulgou, nesta segunda-feira (5), três orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar reverter a desvantagem diante de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Segundo o partido, as recomendações incluem tratar com humildade os 33 milhões de eleitores que se abstiveram, apresentar o PT como candidatura “antissistema” e defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição da Reforma da Segurança Pública.
Entre as instruções, Lula afirmou: “Não briguem com o eleitor. Não falem mal porque o eleitor não votou na gente. Temos que ter humildade. São 30 milhões de pessoas que não foram votar. Temos que tentar convencer essas pessoas”. Sobre o adversário, o presidente disse: “Flávio Bolsonaro é a cara do sistema. A única candidatura antissistema é a nossa”, além de criticar a promiscuidade revelada no Supremo Tribunal Federal e defender critérios para indicação de ministros à Corte. Lula ainda declarou ser urgente que governadores ajudem a aprovar a reforma da segurança pública.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que a abstenção no primeiro turno foi de 21,08%, o maior índice desde 1998, totalizando 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Em ato de campanha, Lula utilizou um megafone para apelar aos abstinentes: “Vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que o voto é necessário para a gente definir o futuro desse país”.
Estrategistas estimam que Lula precisaria conquistar 65% dos cerca de 8% dos votos válidos direcionados a outros candidatos, além do eleitorado ausente. Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e o PSD, de Ronaldo Caiado, declararam neutralidade, enquanto Romeu Zema (Novo) deve apoiar Bolsonaro. O cientista político Bruno Soller, da Real Time Big Data, afirmou que “há uma tendência de diminuir a abstenção”, mas não garantiu a transferência automática de votos.




