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Congresso eleito em 2026 amplia força da direita e de pautas conservadoras no Brasil


Da redação

Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno das eleições presidenciais com 47,03% dos votos válidos, somando 56,1 milhões de votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva ficou com 45,16%, o equivalente a pouco mais de 53,8 milhões de votos, segundo dados oficiais. A diferença entre os dois candidatos foi de cerca de 2,2 milhões de votos. O Partido Liberal (PL) formou a maior bancada no Congresso Nacional, com 121 deputados e 28 senadores, repercutindo a inclinação à direita do novo Legislativo. O cenário aponta para uma disputa que não se limita à Presidência, mas inclui o equilíbrio de forças no Estado e a agenda de direitos.

De acordo com análises políticas, parte do eleitorado manifesta insatisfação com o cenário atual, demonstrando frustração com partidos, experiências anteriores de abandono e influência de discursos religiosos e moralistas. Essa parcela, segundo especialistas, não age motivada apenas por ignorância, mas por desconfiança e desejo de ruptura com o sistema estabelecido. Reportagens recentes também destacaram investigações sobre temas como corrupção e festas de luxo, envolvendo inclusive Flávio Bolsonaro, que foi formalmente investigado no caso relacionado ao Banco Master no inquérito sobre o filme Dark Horse.

A trajetória histórica do Brasil, marcada por hierarquias sociais estabelecidas durante a escravidão, segue presente em práticas e valores. A Emenda Constitucional 72, de 2013, ampliou direitos de trabalhadoras e trabalhadores domésticos, mas a desigualdade e a informalidade permanecem. Políticas de ações afirmativas aumentaram a presença de pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência nas universidades federais, mas o ressentimento diante dessas mudanças ainda é perceptível em diferentes camadas da sociedade.

O programa de governo de Flávio Bolsonaro defende maior flexibilização nas relações trabalhistas, propondo alternativas para negociação das condições de trabalho, incluindo a escala 6×1. Para especialistas, o debate não deve ser reduzido à oposição à Consolidação das Leis do Trabalho, mas ao equilíbrio entre proteção legal e negociação individual. O desafio político, segundo analistas, é compreender por que trabalhadores e setores populares podem se identificar mais com discursos que prometem ordem e autoridade do que com aqueles focados em políticas sociais tradicionais.