Da redação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros lançaram um roteiro global para combater distúrbios hipertensivos na gravidez, responsáveis pela morte anual de milhares de mulheres. O guia, divulgado durante a Conferência Global da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, orienta ações coordenadas de pesquisa e inovação para tratar a hipertensão gestacional.
Segundo a OMS, o documento reúne pesquisas, medicamentos, orientações clínicas, sistemas de saúde e ações políticas para reduzir desigualdades no acesso à sobrevivência materna e neonatal. Em maio, a entidade reuniu mais de 140 parceiros em uma cúpula global para identificar e responder a questões prioritárias de pesquisa. As diretrizes orientarão investimentos futuros para previsão, detecção e tratamento dessas condições.
Os distúrbios hipertensivos acometem entre dez e quinze por cento das gestações mundialmente e causam cerca de dezesseis por cento das mortes maternas, o que corresponde a 42 mil mortes anuais, além de quinhentos mil natimortos e mortes de recém-nascidos, conforme a agência. A pré-eclâmpsia, caracterizada pela elevação da pressão arterial após a vigésima semana de gestação, é destacada como complicação grave. Pascale Allotey, diretora do Departamento de Saúde Sexual, Reprodutiva, Materna, Infantil, do Adolescente e Envelhecimento da OMS, afirma que “milhões de mulheres continuam sem acesso confiável a serviços básicos, como medição da pressão arterial e medicamentos essenciais”.
De acordo com o documento, complicações como a pré-eclâmpsia aumentam o risco de hipertensão crônica, acidente vascular cerebral e doenças cardíacas para as mães no pós-parto, além de consequências para filhos, incluindo parto prematuro e doenças cardiovasculares e metabólicas. A OMS aponta que lacunas na assistência pré-natal em países de baixa e média renda e fatores como pobreza, crises humanitárias e isolamento geográfico elevam os riscos à saúde das gestantes e seus bebês.




