Da redação
Cuidar da saúde mental deixou de ser uma questão apenas individual diante de crises sociais, pressão econômica e polarização política, segundo Renato Oliveira e Sousa, chefe da Unidade de Saúde Mental e Uso de Substâncias da Organização Pan-Americana da Saúde. Para o especialista, fatores como conflitos, eleições e excesso de informações digitais contribuem significativamente para gerar ansiedade e estresse na população.
Oliveira e Sousa afirma que o cuidado deve ser coletivo e destaca que diferentes elementos, como desastres naturais e violência urbana, afetam o bem-estar mental das pessoas nas Américas. Segundo ele, a instabilidade econômica pode transformar preocupações cotidianas em noites sem sono, enquanto períodos eleitorais podem ampliar a polarização e a ansiedade social. O psiquiatra reforça que técnicas como exercícios de respiração, práticas de mentalização e a manutenção de rotinas saudáveis ajudam a lidar com o estresse.
Ainda de acordo com o chefe da Opas, a exposição constante a imagens, notícias e discursos nas redes digitais mantém adultos, adolescentes e crianças em estado de alerta contínuo, tornando essencial tratar a saúde mental como parte da resposta às crises sociais. Ele alerta para a importância de os pais supervisionarem o uso da internet por crianças e adolescentes, evitando excesso de tempo diante das telas e incentivando o desenvolvimento de habilidades sociais e educativas.
Oliveira e Sousa ressalta que a infância e a adolescência estão cada vez mais vulneráveis às pressões do ambiente digital, o que demanda uma atuação mais ativa de pais e cuidadores. O especialista aponta que, para enfrentar o aumento global dos traumas e do estigma relacionado à saúde mental, é necessário descentralizar o apoio psiquiátrico e psicológico e capacitar comunidades para oferecer primeiros auxílios psicológicos, incluindo o cuidado com a saúde dos próprios cuidadores.




