Da redação
A inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,82% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Trata-se do maior índice mensal desde março de 2026 e supera a expectativa do mercado, que projetava 0,60%. O resultado, pressionado principalmente pela alta de 7,98% na conta de luz devido ao fim do Bônus de Itaipu, leva a inflação acumulada em 12 meses a 4,58%, ultrapassando o teto da meta do governo, de 4,5%.
O IPCA de setembro foi influenciado pelos grupos habitação, transportes e alimentação. A conta de luz foi responsável pelo maior impacto individual, com aumento de 0,32 ponto percentual no índice. O grupo transportes subiu 0,89%, puxado pelo avanço de 9,66% nas passagens aéreas e de 1,41% nos combustíveis. A alimentação e bebidas teve alta de 0,83% após três meses de queda, com destaque para o aumento nos preços do tomate (37,76%), batata-inglesa (24,07%) e cebola (10,14%).
Fernando Gonçalves, analista do IBGE, atribui a elevação dos preços dos alimentos a questões de oferta e clima. Ele menciona frio e chuva como fatores que dificultaram a produção e elevaram custos para o consumidor, mas afirma não ser possível dizer se já se trata do impacto do fenômeno El Niño. O economista Roberto Luis Troster, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, avalia que o efeito da tarifa de energia é “pontual, com influência limitada sobre o próximo mês”.
O índice de difusão do IBGE mostra que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram alta em setembro. Houve reajuste contratual na energia elétrica em Belém, São Luís e Vitória, o que também impactou o resultado nacional. Para outubro, está prevista bandeira verde na conta de luz, sem cobrança adicional.




