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Ação de igrejas cristãs ganha destaque nas eleições presidenciais de 2026 no Brasil


Da redação

As eleições de 2026 recolocaram a religião no centro do debate político brasileiro, com foco nas igrejas cristãs, católicas e evangélicas, de acordo com Luís Alberto de Mendonça Sabanay, teólogo, pastor presbiteriano e dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos (47,03% dos válidos) e Luiz Inácio Lula da Silva teve 53.876.617 votos (45,16%) no primeiro turno, concentrando juntos mais de 92% dos votos válidos.

Segundo Sabanay, a influência das igrejas nas eleições não se resume à indicação de voto, mas inclui formação de valores, opiniões e identidades. O Censo Demográfico de 2022 registrou 47,4 milhões de evangélicos (26,9%) e 100,2 milhões de católicos entre pessoas com dez anos ou mais. Pesquisas como Genial/Quaest, Datafolha e PoderData/Aya apontaram diferenças relevantes entre católicos e evangélicos na intenção de voto, aumento da influência percebida das lideranças religiosas e o fato de que 63% dos entrevistados não consideravam a religião dos candidatos um fator importante ao votar.

O artigo pondera que há crescimento da presença religiosa no debate público, com lideranças mais ativas nas redes sociais e símbolos religiosos sendo incorporados ao conflito político. Segundo levantamento do Inesc e da Common Data, 445 candidaturas apresentaram referência religiosa no nome, correspondendo a 2,2% das candidaturas analisadas. No entanto, Sabanay ressalta que igrejas e comunidades não funcionam como máquinas eleitorais, pois os próprios fiéis impõem limites à transformação desses espaços em estruturas de campanha.

Segundo o autor, a relação entre religião e política ultrapassa o período eleitoral. Sabanay destaca que a expressão “indústria religiosa” descreve as estruturas permanentes de produção e circulação de conteúdos religiosos, que vão além das eleições e permeiam o cotidiano. Ele afirma que, embora a ação das igrejas tenha sido mais intensa em presença e comunicação, faltam evidências de que essa atuação determinou o voto, ressaltando o desafio de compreender a sociedade que vota em vez de tratar religiosos como segmento homogêneo.