Da redação
Márcio Cristiano da Silva da Rocha, delegado de polícia em Palmital-SP e professor de direito, afirma que atualmente cerca de 75% dos crimes são digitais, incluindo estelionato, furto, invasão de sistemas e ataques contra a dignidade sexual. Segundo Rocha, criminosos têm preferido delitos virtuais a assaltos à mão armada devido à menor exposição e à dificuldade de coleta de provas físicas.
O delegado declarou, em palestra no Encontro de Iniciação Científica do Centro Universitário de Brasília, que a atuação policial e do Ministério Público foi adaptada para um modelo com foco em questões técnicas e científicas, aprimorando a preservação e apuração de dados digitais. Rocha destacou que a ausência de evidências materiais, como armas ou projéteis, torna o trabalho investigativo mais desafiador e aconselhou profissionais das áreas policial e jurídica a investirem em cursos de informática avançada.
De acordo com o delegado, a validação das provas digitais exige um processo criterioso: celulares devem ser colocados em modo avião durante buscas e apreensões, é necessário o uso de programas forenses que registrem os metadados de cada arquivo e, durante a extração, deve-se gerar o Código Hash, considerado a impressão digital do documento eletrônico. Rocha ressaltou que “sem os hashes, é impossível verificar a integridade daquele elemento de prova”.
O delegado explicou que decisões do Superior Tribunal de Justiça têm anulado condenações em casos onde faltaram autorizações judiciais, metadados, hashes ou houve divergências entre versões apresentadas pela polícia e pela defesa. Metadados servem como certidão técnica do processo de extração, e o Código Hash garante a originalidade e integridade dos arquivos digitais usados como prova.




