Da redação
Mensagens analisadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, indicam pagamentos e articulações para captar recursos de fundos de pensão de estatais. Segundo reportagem, Vorcaro atribuiu ao grupo do ministro Alexandre Padilha a suposta cobrança de propina para facilitar o acesso a esses fundos.
De acordo com proposta de delação de Vorcaro, o ingresso nos fundos dependeria do pagamento de dez por cento dos valores captados, condição apresentada por Júlio Cezar e Olavo Noleto após reunião com Padilha no Palácio do Planalto. Vorcaro afirmou que Padilha teria dito: “o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”. Os citados, incluindo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, negam envolvimento em irregularidades.
Conversas extraídas do celular de Vorcaro mostram tentativas de encontros com dirigentes dos fundos Petros, Postalis e Previ, além do pagamento de R$ 500 mil a Júlio Cezar no mesmo dia em que o Banco Master foi incluído na lista de instituições autorizadas a receber recursos de fundos previdenciários. As negociações perderam força após a repercussão de uma tentativa de investimento de R$ 500 milhões pelo Caixa Econômica Federal em julho de 2024, o que levou os envolvidos a suspenderem decisões.
Mesmo após o bloqueio das negociações, Vorcaro manteve contato com integrantes do grupo, promoveu eventos em Brasília e tentou aproximação com Lula, segundo mensagens. Em junho de 2025, Vorcaro reclamou da demora nas tratativas. A última mensagem de Júlio, um mês antes da prisão do banqueiro em novembro de 2025, propunha outra forma de captar recursos, mas não foi respondida.




