Da redação
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas renovou nesta segunda-feira (14) as sanções destinadas a enfrentar a crise de segurança no Haiti, onde gangues armadas controlam grande parte de Porto Príncipe e avançam para áreas rurais. Segundo o órgão, essas medidas visam responsáveis ou envolvidos em atos que ameaçam a paz, com instrumentos como embargo de armas, proibição de viagens e congelamento de bens.
De acordo com dados do Conselho, atualmente nove pessoas e dois grupos estão sob sanções. As ações proibitivas atingem indivíduos ou entidades que contribuem para a violência, que já forçou aproximadamente um milhão e quinhentas mil pessoas a deixarem suas casas, incluindo mais de 2.400 sobreviventes de violência sexual assistidos em Porto Príncipe entre janeiro e maio, conforme parceiro da ONU.
O Painel de Peritos sobre o Haiti, grupo independente instituído pelo Conselho, alerta que o embargo de armas é “regularmente” violado. As autoridades dos Estados Unidos apreenderam remessas destinadas ao Haiti, enquanto forças haitianas realizaram interceptações nos portos. O Escritório da ONU sobre Drogas e Crime apoia investigações e combate ao tráfico, mas há relatos de desvios de armas por polícias corruptos e dificuldade dos bancos em congelar ativos.
Segundo o Painel, focar apenas nos líderes das gangues não é suficiente, pois redes políticas, econômicas e de segurança também sustentam a criminalidade. O Haiti não fabrica armas ou munições, mas entre 270 mil e 500 mil armas ilegais circulam no país, conforme o gabinete de direitos humanos da ONU. O Conselho prorrogou por treze meses o mandato do Comitê de Sanções, mas autoridades haitianas alertam que só as sanções não resolvem o problema.




