Início Política Delator diz à PF que Vorcaro omitiu uso de verba para filme...

Delator diz à PF que Vorcaro omitiu uso de verba para filme sobre Bolsonaro


Da redação

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou à Polícia Federal, em delação premiada, que não foi informado por Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre o uso de transferências a um fundo nos Estados Unidos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mineiro disse ainda que não teve contato com autoridades políticas nem com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a operação, e que tentou recuperar o investimento após descobrir a destinação dos recursos.

Em depoimento, Mineiro relatou que a proposta de aporte foi apresentada como oportunidade de investir em empreendimentos imobiliários no Texas e na Flórida, associação ligada a Paulo Calixto, advogado vinculado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, “em momento algum lhe foi informado que os recursos se destinavam ao financiamento de um filme ou cinebiografia”. Conforme Mineiro, não aceitaria participar de operação “com esse viés em razão do elevado risco reputacional para seu portfólio de empresas”.

A Polícia Federal apontou divergências entre o relato do delator e documentos obtidos na investigação. Segundo a corporação, uma carta-acordo dirigida à Entre Investimentos estabelece compromisso de aporte de US$ 24 milhões e menciona a produção de um filme. A polícia também identificou que o primeiro repasse de recursos não teve origem nas fontes apontadas por Mineiro, mas em depósito da Super Empreendimentos. Os investigadores ainda mencionam fragilidades na documentação dos pagamentos e ausência de papéis referentes a parte das remessas feitas.

Mineiro disse que as transferências, feitas pela Entre Investimentos ao fundo Havengate, foram custeadas por saques em conta no Banco Master, venda de ativos e caixa próprio. O valor repassado ao exterior foi de US$ 12,3 milhões, com previsão de repasses totais de US$ 24 milhões, conforme a Polícia Federal. A corporação solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais 90 dias para aprofundar a apuração. Procurados, a campanha de Flávio Bolsonaro, as assessorias de Daniel Vorcaro e Paulo Calixto não se manifestaram.