Da redação
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou, na abertura do Diálogo Internacional sobre Migração, em Genebra, para a rápida disseminação de narrativas falsas sobre migrantes nas redes sociais, impulsionada pela inteligência artificial (IA). A diretora-geral Amy Pope disse que a desinformação amplia a polarização e a desconfiança nas comunidades.
As informações falsas “transformam ansiedade em suspeita e as pessoas em alvos”, disse Pope. A deterioração da confiança, afirmou a diretora-geral, amplia a resistência pública e reduz o espaço para governos cooperarem em temas migratórios, abalando a percepção sobre a gestão da migração.
Os migrantes ficam expostos a riscos maiores ao longo de suas jornadas, num momento em que o financiamento para ações de acolhimento está em queda. O quadro se soma à incerteza econômica, aos conflitos e às pressões climáticas, que testam governos e comunidades.
Mais de 304 milhões de pessoas vivem fora do país onde nasceram, entre elas 168 milhões de trabalhadores migrantes. Quase metade dos migrantes internacionais são mulheres e meninas, muitas expostas a discriminação, abuso e exploração. Remessas enviadas às famílias alcançam cerca de um bilhão de pessoas, que usam o dinheiro para alimentação, educação e saúde.
Pope pediu que países de uma mesma rota migratória planejem juntos a expansão de trajetos regulamentados, reforcem a proteção das fronteiras e apoiem retornos dignos. Também defendeu investimento antecipado em comunidades atingidas por enchentes e com colheitas destruídas, além de decisões que priorizem as pessoas afetadas, dados confiáveis e tecnologias que protejam informações pessoais e evitem estigmas.




