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97% das denúncias de violência sexual militar no México ficam sem sanção eficaz

97% das denúncias de violência sexual militar no México ficam sem sanção eficaz

Da redação

A jornalista investigativa Zorayda Gallegos, vencedora do Prêmio Breach/Valdez de Jornalismo e Direitos Humanos de 2026, acompanhou mais de 520 mulheres que denunciaram crimes sexuais nas Forças Armadas do México ao longo de 12 anos. A reportagem sobre violência e impunidade foi destacada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Gallegos descreve o treinamento militar como “um sistema altamente hierarquizado, de cima para baixo, no qual as mulheres são sempre ensinadas a seguir ordens de seus superiores”. Nesse contexto, a recusa a entrar nos aposentos de um oficial homem pode ser tratada como desobediência a uma ordem superior.

Apenas 3% dos casos acompanhados terminaram em condenação; os outros 97% não resultaram em sanção efetiva. Gallegos documentou o encobrimento de abusos por oficiais de alto escalão e obstáculos que desestimulam denúncias. Para ela, o problema é estrutural e também alcança escolas e hospitais militares.

Na Justiça, algumas decisões incluem comentários sexistas ou não consideram a perspectiva de gênero. O apoio psicológico pode incentivar as denunciantes a perdoar e esquecer o ocorrido, enquanto homens acusados muitas vezes recebem recomendações, não punições. Gallegos defende mais mulheres em cargos de liderança militar, no Judiciário e no Ministério Público.

A reportagem também expôs Gallegos a intimidações, ameaças veladas e pressões. Em 20 anos, 154 jornalistas foram assassinados no México. Em 2026, a contagem era de oito mortes, enquanto organizações de defesa da imprensa registravam nove, incluindo a de Hamurabi Huesca Manzano, em Oaxaca.