Da redação do Conectado ao Poder

O advogado e candidato a deputado federal Paulo Fernando (Republicanos) foi entrevistado no programa Conectado ao Poder, da TV Cultura, pelo jornalista Sandro Gianelli, e falou sobre a política tratada no meio católico e evangélico, pontuou a situação do aborto no Brasil, focando em seu projeto Pró-Vida, disse sobre trabalho contra as drogas, sobre as intolerâncias religiosas na sociedade, além de citar o combate aos jogos de azar, citar o homeschooling e colocar sua opinião de como as redes sociais mudam os comportamentos.
Por qual razão a igreja católica não traz uma temática política tão forte quanto a igreja evangélica?
O propósito da igreja é salvar almas e o evangelho de Jesus não precisa de candidato e nem de partido, mas sim de missionários e pregadores, então a igreja ensina, por meio da doutrina social, o que deve fazer um candidato que se diz católico e como o leigo católico também deve se portar durante as eleições. Não se distribui material dentro de igreja até mesmo por prudência.
Qual é o ideal do Movimento Pró-vida?
Eu sou o Paulo Fernando do Movimento Pró-Vida, que defende a vida desde a concepção até a morte natural, então essa estratégia é um plano global, que visa o controle demográfico da população, pois quanto mais aborto, menos pessoas e, obviamente, na minha condição de católico, nós estamos abertos à vida.
Como funciona o projeto?
As mulheres nos ligam em um número chamado Operação Resgate e acham que nós vamos fazer o aborto, mas na verdade nós acolhemos e as convencemos a não praticar esse ato tão horrendo, que é matar a criança inocente. Estou há 30 anos salvando vidas.
Quais técnicas são utilizadas?
Às vezes é uma conversa, um ombro amigo e muitas vezes mostramos o tamanho real do feto e dá tudo certo. Podemos levar água limpa para as pessoas.
Qual é o perfil mais comum de mulheres que tentam o aborto?
Geralmente são jovens, adolescentes, que são abandonadas pelos companheiros.
Como é estabelecido em lei o crime praticado por meio de remédio para aborto?
Os remédios são encontrados em mercado clandestino e muitas vezes o remédio é falso. Se o remédio for verdadeiro, e ao utilizar, o aborto se concretizar, a pena é de 1 a 3 anos, mas se o remédio é falso, é considerado crime hediondo, com pena maior de 8 anos. Isso é algo que, se eu for eleito, quero mudar na legislação brasileira.
Você acha que falta educação sexual nas jovens que tentam o aborto?
Eu acredito que seja fruto de uma erotização precoce, porque as pessoas acham que tem que ter muitos parceiros até encontrar o príncipe ou princesa encantada e não funciona desse jeito, então a erotização precoce, sem cuidados, faz com que ela tenha gravidez inesperada, com idade baixa e são abandonadas pelo namorado, muitas vezes com vergonha da sociedade.
Você já fez serviço para tirar pessoas do mundo das drogas?
Eu fui do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD), representando a OAB, e nós resgatamos as pessoas na rua, que precisam mostrar o consentimento em querer ajuda. São pessoas doentes, que precisam de tratamento e a prática nos mostra que muitas das pessoas conseguem se recuperar e levar a vida de forma saudável.
Como a liberdade religiosa é observada?
Nós temos visto inúmeros ataques a várias denominações religiosas, fruto de uma intolerância religiosa. Um dos pilares da Constituição de 1988 é liberdades individuais, que traz proteção aos locais de culto e as liturgias, com doutrina sendo respeitada, culto sendo respeitado e dogmas sendo respeitados para todos.
O que é a Cristofobia?
Nós vemos inúmeros ataques à Cristandade, com peças de teatro, que acabam desprezando o sentimento cristão, então há limites para a liberdade. O Código Penal de 1940 traz um dispositivo que fala do ultraje ao sentimento religioso, então no direito não existe uma liberdade maior que a outra.
Você atua contra jogos de azar?
Eu, o senador Eduardo Girão e a Ministra Damares, fazemos parte do Movimento Brasil sem Azar, porque o jogo nunca vem sozinho, ele vem acompanhado de crime organizado, de narcotráfico, corrupção de menores, agiotagem, endividamento, alcoolismo e muitas vezes até suicídio.
Você é a favor do homeschooling?
Como advogado, eu fui um dos primeiros a atuar no caso de um casal adepto ao homeschooling, como assessor parlamentar eu redigi o primeiro Projeto de Lei também do homeschooling e como assessor no Ministério da Mulher, eu fui uma das pessoas que redigiu os pareceres técnicos para a aprovação da Lei do Homeschooling, que agora falta a regulamentação, então nós temos, não só em Brasília, diversos casais que são adeptos, com a tese de que a família deve estar acima do Estado, pois se a família tem condições e acha essa a melhor metodologia, que seja feita a vontade. Os pais vão educar da maneira que melhor acharem.
Em sua opinião, por que tudo vira discussão na nossa sociedade?
Eu chamo isso de esquizofrenia das redes sociais, porque qualquer pessoa pode falar e dar palpite sobre qualquer assunto, mesmo sem saber da temática com propriedade, são os palpiteiros.
Confira a entrevista:





