Da redação do Conectado ao Poder

O ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do governo Michel Temer e ex-deputado federal Ronaldo Fonseca (PP), que agora concorre novamente à Câmara Federal, foi entrevistado no programa Conectado ao Poder, da TV Cultura, pelo jornalista Sandro Gianelli, e falou da sua campanha de 2010, disse sobre o seu foco em 2022, comentou da situação do Congresso com o Judiciário, além de mostrar a importância de cuidar da saúde de quem mais precisa e pontuar sobre a necessidade dos presos trabalharem. O Conectado ao Poder vai ao ar toda quarta-feira, às 23h, na TV Cultura, canal 5.1. Confira a entrevista:
Em 2010, a sua campanha foi marcada pela defesa da família, como foi esse trabalho?
Eu fiz uma campanha muito ideológica como defensor da família e começaram a copiar, em 2014 eu repeti e agora eu estou de novo aqui e não tenho como mudar, porque eu fiz uma defesa muito grande. Acontece que muitos agora são defensores da família, só que não têm originalidade.
O que você pensa sobre a campanha deste ano?
Está diferente, porque foi para 45 dias e quem decide é o eleitor, que vai resolver na última hora, então é um tempo curto para todo mundo.
Qual é o seu foco nesta caminhada?
Eu acho que agora temos um diferencial lamentável, que está em cima da criança, com linguagem neutra e ideologia de gênero dentro das escolas, então hoje eu estou fazendo uma campanha em defesa da criança, porque é uma covardia o que estão fazendo com elas e se a gente perceber, aumentou, inclusive, o estupro de crianças, por conta da erotização precoce. Eu quero defender a criança no Congresso Nacional.
De 2010 para 2022, o que você acha que melhorou nesta pauta da defesa da família?
O que melhorou foi que nós elegemos um presidente de direita, que defende essa pauta e antes a gente ficava brigando, meus dois mandatos foi no governo Dilma. Eu percebo que os deputados e senadores ficaram entretidos e foram para o judiciário, então os avanços que esses liberais têm são no judiciário e ninguém peitou o judiciário. Por exemplo, estão peitando o STF, mas qual é a pauta? É conservadora? Não, eu não vejo. Então, ocorre que elegemos um presidente que deu uma descansada no Congresso e o executivo não ficou mandando pautas que os conservadores teriam que refutar.
Você acha que o Congresso está acovardado em relação à Justiça?
Eu diria que está medroso, não tem peito para enfrentar. Um deputado federal tem capacidade para enfrentar qualquer tema, porque a liberdade de expressão é delimitada na Lei, mas com respeito.
O que você acha do caso Daniel Silveira?
Eu acho que ele exagerou, foi um absurdo, mas também acho que o que fizeram com ele foi um absurdo.
Além da defesa da criança, qual outro ponto você irá defender, se eleito?
Eu faço uma defesa muito grande da saúde, porque na pandemia apareceu muito dinheiro e agora não mais, sendo que a saúde não melhorou, então esse dinheiro tinha que continuar. Eu lancei um projeto, que eu chamo de Saúde Nossa, que visa aproximar o médico de quem não tem plano de saúde, usando o terceiro setor. Por exemplo, a gente pode pegar umas duas salas de igreja, que durante a semana estão fechadas, ceder para o Estado, que pagaria ginecologista, clínico geral e pediatra e desse jeito a gente desafoga os hospitais e aí sim, os casos mais sérios vão para os hospitais. Eu quero que o mais necessitado tenha dignidade.
Qual é o intuito do seu projeto sobre atividades para presos?
É em questão da dignidade da pessoa humana, então eu defendo que o preso trabalhe, que o Estado dê incentivo para as empresas privadas se instalarem nas penitenciárias. Uma vez eu fiz uma audiência pública, chamei o secretário judiciário, que cuida do sistema carcerário do Brasil, e perguntei a razão pela qual o preso não trabalha e ele disse que não tinha como colocar 6 mil homens, por exemplo, para trabalhar, e eu fiquei questionando, porque isso custa caro para o Estado e o preso não se ressocializa, a família dele não é atendida, então temos que mudar essa realidade, temos que dar condições de trabalho.
Nem todas as cidades possuem penitenciária, como você observa essa questão?
Eu fiz um Projeto de Lei, que está lá na Câmara e eu vou desarquivar, que diz que cidades que possuem acima de 50 mil habitantes têm que ter penitenciária, porque a cidade tem igreja, cartório, hospital, mas não tem penitenciária. O preso tem que cumprir pena na sua própria cidade.
Confira a entrevista:





