Início Variedades Roseana pede ao STF isonomia com Dilma no processo do petrolão

Roseana pede ao STF isonomia com Dilma no processo do petrolão

roseanaO criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, está invocando o princípio da isonomia para livrar a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) da condição de ré no processo do petrolão, que apura esquema de corrupção na Petrobras, como ocorreu com a presidente Dilma Rousseff, citada como ela, mas excluída dos autos. O advogado usou os mesmos argumentos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em petição para barrar a investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos autos do Ministério Público, Roseana é acusada de receber R$ 2 milhões do esquema para serem usados na campanha eleitoral de 2010. O senador Edison Lobão (PMDB-MA) é alvo do mesmo inquérito, pois teria sido ele o intermediário do repasse da propina.

No recurso — um agravo regimental — enviado ao STF, o advogado escreveu: “É inequívoco que, no que se refere à presidenta Dilma Rousseff, há referência a envolvimento indireto da campanha presidencial, motivação que, dentre outras, levou o procurador-geral da República a requerer o arquivamento do feito. E tal referência indireta à campanha política igualmente ocorre no presente caso, no que se refere a Roseana Sarney”.

De acordo com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em depoimento ao Ministério Público, após fechar acordo de delação premiada, o senador Lobão pediu R$ 2 milhões para a campanha de Roseana Sarney, dinheiro que teria sido viabilizado pelo doleiro Alberto Youssef. Roseana disputava a reeleição na época do suposto pagamento.

O mesmo Costa afirmou ter ouvido de Youssef que, em 2010, o ex-ministro Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma ao Palácio do Planalto, pediu R$ 2 milhões para a campanha presidencial e que os valores teriam sido repassados.

São situações similares, na visão de Kakay, para as quais deveria ser aplicado o mesmo critério de arquivamento estabelecido pelo procurador-geral da República. “Mas ele (o PGR) optou por dissociar a figura da presidente e a do ex-ministro Palocci”, disse Kakay ao Fato Online. “Pedindo ao Supremo a remessa do caso para a primeira instância para que sejam realizadas as investigações contra o ex-ministro Palocci.”

Como o arquivamento das suspeitas contra Dilma Rousseff, o procurador-geral da República usou artigo da Constituição segundo o qual presidente da República não pode “ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.

Kakay usou outros argumentos para reforçar o pedido de arquivamento no Supremo. Ele apontou a falta de ato de ofício atribuído a Roseana Sarney, uma servidora pública, que justificasse o recebimento de valores ilegais em retribuição. Na avaliação do criminalista, os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef incorreram em contradições.

Fonte: Fato Online