Início Distrito Federal Contra ‘lei do silêncio’, ativistas fazem samba em quadra de Rollemberg

Contra ‘lei do silêncio’, ativistas fazem samba em quadra de Rollemberg

samba1Produtores protestam contra fechamento de bares e espaços culturais do DF.
Evento tinha 50 pessoas até 18h, diz Polícia Militar; protesto era pacífico.

Ativistas e produtores culturais do Distrito Federal organizaram um samba na tarde deste domingo (17) na entrequadra 206/207 Sul para protestar contra o fechamento de bares e espaços culturais que teriam excedido o limite de ruído, no fim de abril. O evento foi montado em frente ao bloco E da quadra 206 Sul, onde mora a mãe do governador Rodrigo Rollemberg e onde ele morou durante a infância e a adolescência.

Às 18h, a Polícia Militar acompanhava a movimentação com uma viatura que fazia rondas periódicas no local. O protesto era pacífico e, segundo a corporação, havia cerca de 50 pessoas no evento. O G1 conversou com organizadores do samba, mas elas não informaram estimativa de público e não quiseram dar entrevista.

No fim de abril, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) fechou o Balaio Café, na Asa Norte, e outros cinco estabelecimentos do DF por ultrapassarem a emissão de som durante a noite. Neste domingo a dona do Balaio, Juliana Andrade, classificou a ação do governo como “arbitrária” e disse que ainda não conseguiu conversar com os técnicos, mais de duas semanas após a interdição.

“A notificação diz que o bar ultrapassou os 55 decibéis, mas não diz onde foi a medição. Eles me acusam de incitar a população contra o governo, o que não é verdade. A população é bem informada, acostumada a lutar por direitos. Até hoje não fui recebida pelo Ibram para conversar”, diz. O G1 não conseguiu contato com o órgão na noite deste domingo (17).

Produtores culturais e ativistas fazem samba na 206/207 Sul, em protesto contra a Lei do Silêncio no DF (Foto: Mateus Rodrigues/G1)Produtores culturais e ativistas fazem samba na 206/207 Sul, em protesto contra a Lei do Silêncio no DF (Foto: Mateus Rodrigues/G1)

Sem barulho
Na operação que levou ao fechamento do Balaio, os fiscais do Ibram identificaram que o volume no bar chegou a 61,8 decibéis na última semana de abril, índice superior aos 55 decibéis estabelecidos em um Termo de Ajustamento de Conduta. O espaço também foi multado em R$ 33 mil, segundo a dona, porque uma anistia de R$ 18 mil em uma multa anterior foi cancelada.

Segundo o auditor do Ibram, Bento Marçal, o Balaio Café vinha descumprido ordens há algum tempo. “O bar já foi autuado diversas vezes e já até assinou termo de compromisso para reabrir. Se está sendo autuado de novo é porque está descumprindo a lei. Ou se adequa a lei ou vai ter que fechar.”

Para o fiscal, o ruído no local atrapalhava mais pessoas do que tornava o ambiente agradável. “O cidadão não pode ser prejudicado porque outros se sentem no direito de fazer barulho.”

Fonte: G1