Da redação do Conectado ao Poder
Vice-governadora do DF cobra revisão de políticas e defende mais apoio federal para combater a criminalidade

A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), criticou duramente as políticas de segurança pública durante uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, o atual sistema jurídico “protege o bandido” e deixa “o cidadão de bem refém”. Celina defendeu uma revisão das leis que regem a segurança pública, argumentando que o excesso de garantias aos criminosos desmotiva as forças de segurança e contribui para a sensação de impunidade.
Entre as propostas, a vice-governadora sugeriu revisar a política de audiências de custódia, estabelecida pelo Pacto de São José da Costa Rica, que exige a apresentação rápida dos presos a um juiz. Ela questionou se o Brasil ainda deveria seguir essa norma internacional, já que, em sua visão, o sistema atual facilita a soltura de criminosos reincidentes. “Nossos policiais prendem várias vezes, mas os criminosos voltam às ruas rapidamente”, criticou, mencionando casos em que criminosos reincidentes cometeram novos crimes após serem liberados.
Celina também expressou preocupação com a falta de autonomia para retirar moradores de rua envolvidos em tráfico de drogas de espaços públicos no DF, devido a decisões judiciais que limitam a ação do governo local. Segundo ela, essa situação aumenta a insatisfação popular e impede que o governo atenda às demandas dos cidadãos. “Somos cobrados pela população, mas muitas vezes o Judiciário nos impede de agir”, afirmou.
A vice-governadora ainda destacou o problema dos ex-detentos com histórico de transtornos mentais. Citando o caso do criminoso Lázaro Barbosa, ela alertou sobre o risco de liberar essas pessoas sem um acompanhamento adequado. Segundo Celina, o DF já registrou um caso em que um ex-detento liberado sob medida de segurança mental matou três pessoas, reforçando a necessidade de revisão dessa política.
Por fim, Celina Leão sugeriu que o governo federal dê mais tempo para que os governadores e secretários estaduais de segurança elaborem uma proposta unificada de reformas na segurança pública, antes de enviar um projeto ao Congresso. Ela acredita que uma proposta articulada entre os estados poderá refletir melhor as necessidades locais e ter mais impacto na redução da criminalidade.







