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“A gente foi chamado de herói, mas isso não enche barriga”, diz Jorge Vianna ao se referir ao piso salarial da enfermagem

Da redação do Conectado ao Poder

O deputado distrital Jorge Vianna (PSD) foi entrevistado no programa Conectado ao Poder, da TV Cultura, pelo jornalista Sandro Gianelli, e comentou sobre sua entrada para o meio da saúde, bem como a forma que se tornou líder no segmento, pontuou a luta dos profissionais por um piso salarial digno e falou de trabalhos executados para o meio da saúde. O Conectado ao Poder vai ao ar toda quarta-feira, às 23h, na TV Cultura, canal 5.1. Confira a entrevista:

Quanto tempo você ficou na Força Aérea Brasileira?

6 anos. Fiquei de 1995 até 2001.

Foi trabalhando no Hospital da Força Aérea de Brasília (HFAB) que veio a vontade de ser enfermeiro?

No HFAB eu fui técnico de gesso, mas depois, quando a gente soube da ameaça de ser retirado, eu fui procurar um curso e vi que poderia ser de enfermagem. O meu pai é aposentado da Secretaria de Saúde, e eu nunca tive atração por hospital, mas aí acabei entrando como militar em hospital e depois fui para a carreira, só que nunca foi algo planejado.

Como nasceu sua liderança no segmento da enfermagem?

Foi por meio de sindicato. Assim que eu saí da Aeronáutica, eu fui trabalhar em hospital privado e eu via a importância da profissão e o salário que a gente tinha, que era desproporcional, então essa luta que ocorre agora do piso salarial, eu já estou há 20 anos. Nós fundamos o Sindicato dos Técnicos em Enfermagem e as pessoas nem sabiam o que era técnico em enfermagem, elas sabiam o que eram enfermeiro e médico, mas eu comecei a me apresentar e mostrar o trabalho, sem bandeira partidária, então eu acho que isso me deu uma credibilidade na categoria. A primeira vez que a televisão começou a falar da profissão, dava orgulho, porque pela primeira vez alguém não falava enfermeiro. São coisas diferentes, existe enfermeiro e existe técnico. De nível médio é o técnico e de nível superior enfermeiro.

Quantos técnicos em enfermagem há no Brasil?

Nós somos a base da pirâmide da saúde, sendo a maior categoria. Somos 3 milhões aqui no Brasil.

Qual é o número aqui no DF?

Nós somos, inscritos no conselho regional, em torno de 65 mil.

Como você observa a violência em razão da política?

Eu acredito que nem seja tanto a questão política, mas sim a intolerância que o ser humano tem. A humanidade está mais intolerante e perversa. O bandido não só mata, mas esquarteja. 

Você, sendo da área da saúde, como observa o ser humano?

Eu apenas vejo que é um ser humano que eu tenho que salvar, independente de ser pobre, rico, preto ou branco. No Hospital de Samambaia, nós pegamos várias vezes pacientes vítimas de arma de fogo, tanto o próprio bandido, quanto um trabalhador, e não existia distinção, a gente tinha que cuidar da mesma forma.

A principal luta da profissão é realmente o piso salarial? 

Como pontapé inicial, seria o piso. Hoje, em nível nacional, a média que se paga é R$ 1.200 para técnico em enfermagem, com 44 horas semanais, e para o enfermeiro, que tem nível superior, é em torno de R$ 2.000. O piso está trazendo para R$ 3.325 para técnico e R$ 4.750 para enfermeiro.

Na pandemia, esses profissionais se arriscaram e, ainda assim, ganhavam esse valor. Como você analisa?

A gente foi chamado de herói, mas isso não enche barriga. A gente precisa cuidar dos nossos filhos. As pessoas acham que a gente ganha bem, que a gente tem uma vida boa, e não é assim.

Aqui no DF, qual é a sua principal missão em representar as categorias da saúde?

Pelo fato de eu ser técnico em enfermagem, servidor da Secretaria de Saúde, eu tenho a visibilidade, mas eu consegui quebrar a barreira e mostrar para todos os trabalhadores da área da saúde que eu represento todos. Eu fiz projetos e ajudei todas as categorias da área da saúde, porque as demandas chegaram. O condutor da Secretaria de Saúde estava com a profissão extinta, não existia mais concurso e a profissão ia acabar, mas eu fiz um PDL, suspendendo uma portaria que acabava com eles e agora pode ter concurso, isso porque eu consegui resgatar. Para o técnico em enfermagem, nós criamos a carreira, passamos o auxiliar para técnico e isso tem reflexo no piso, porque 70% do salário do enfermeiro vai para técnico, então se nós continuássemos com auxiliar, nós ganharíamos só 50%, então esse trabalho no DF serviu como parâmetro em nível nacional. Muitas leis que eu faço aqui em Brasília reverberam no Brasil inteiro, o enredo é o mesmo, só os protagonistas que mudam.

Você sente que o seu trabalho tem o reconhecimento dos profissionais?

Eu vejo que sim, porque aonde eu chego, as pessoas me abraçam e agradecem, é impressionante. Durante a pandemia, eu fiquei muito no meio interno, com questões de projetos e leis e também fiscalizando as UTIs, mas, agora, depois que eu voltei a andar e conversar, foi que eu senti o impacto daquilo que fizemos e como isso chegou na ponta.

As suas emendas parlamentares foram todas destinadas para a saúde?

Eu fiz um propósito no meu mandato e, para mim, saúde é prioridade, então 70% do que eu tenho de recurso, eu mandei para a saúde. Deu, até agora, em torno de R$ 38 milhões. Eu coloco em reforma, medicamento, equipamento microscópico, para poder diagnosticar doenças raras em crianças, nós ajudamos as mulheres do HMIB a conseguirem engravidar, com reprodução humana, compramos equipamentos, fizemos a base do SAMU, além de projetos sociais, como eco terapia, então eu fico feliz, porque eu bati o recorde e isso está marcado.