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A polarização e as dificuldades para se construir um candidato de ‘terceira via’


Da redação

A busca por uma candidatura ao Palácio do Planalto que se coloque entre os polos da direita e da esquerda é citada por diversos setores como alternativa para distensionar o clima político do país. Entretanto, desde a redemocratização do Brasil, poucas vezes a chamada “terceira via” conseguiu ser realmente competitiva.

Na eleição deste ano, líderes partidários avaliam que não há espaço para uma alternativa, e a disputa deverá ficar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representando a esquerda, e o senador Flávio Bolsonaro, candidato da direita, que nas últimas semanas empatou tecnicamente com Lula nas pesquisas. Apenas Gilberto Kassab (PSD) defende um projeto alternativo, reunindo governadores da centro-direita como Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (SC) e Ronaldo Caiado (GO), porém lideranças de grandes partidos consideram o cenário altamente polarizado.

O presidente do PL declarou não haver espaço para a terceira via e buscou apoio do setor financeiro para Flávio Bolsonaro. Antônio Rueda, presidente do União Brasil, também afirmou não enxergar possibilidade de um candidato desse perfil chegar ao segundo turno. Para especialistas, a construção de uma alternativa demanda recursos e esforços que os partidos preferem evitar, optando por se alinhar a um dos polos ou liberar alianças estaduais.

Segundo o cientista político Jorge Chaloub, da UERJ e UFJF, as opções de Kassab estão mais próximas do bolsonarismo, destacando que, exceto Eduardo Leite, os demais governadores se identificam com a direita. Chaloub questiona: “O que Kassab está tentando é reconstruir um outro lugar político. A questão é: vai ter voto?”

Em eleições anteriores, nomes como Ciro Gomes e Marina Silva tiveram destaque fora dos polos, mas não chegaram ao segundo turno. Em 2022, Simone Tebet (MDB) foi a aposta da terceira via, mas terminou em terceiro lugar, com 4,2% dos votos. Neste ano, o MDB deve liberar seus filiados para alianças estaduais e não deve lançar candidato próprio para a presidência.