Início Mundo Abertura da Taff destaca dependência do petróleo e desafios para soberania energética

Abertura da Taff destaca dependência do petróleo e desafios para soberania energética


Da redação

A plenária de abertura da conferência internacional Taff, nesta terça-feira (28), em Santa Marta, Colômbia, reuniu representantes de 56 países para discutir a transição global dos combustíveis fósseis, destacando o papel recente do Brasil nesse debate. O evento acontece desde a última sexta-feira (24) e é copresidido pelos Países Baixos.

Autoridades presentes abordaram a dependência do petróleo e os riscos à soberania energética, relatando impactos da guerra no Irã. Ana Toni, representante do Brasil, citou o presidente Lula ao ressaltar que o abandono dos combustíveis fósseis é fundamental não apenas pelo clima, mas também por questões de segurança econômica e paz internacional.

Jules Kortenhorst, copresidente da Comissão de Transição Energética, afirmou que “o mundo é viciado em petróleo e esquece que se trata de uma forma de energia ineficiente”. Para ele, a instabilidade recente comprova que combustíveis fósseis são inseguros e deixam nações sujeitas a choques externos. Wopke Hoekstra, da União Europeia, destacou que motivos econômicos e de independência somam-se à agenda climática: “A crise energética é uma realidade. Na Europa, estamos perdendo meio bilhão de euros por dia que essa guerra [no Irã] continua”.

Rachel Kyte, do Reino Unido, lembrou que esta é a segunda crise dos combustíveis fósseis em cinco anos, defendendo o fim da dependência global para garantir estabilidade. Na cerimônia, Brasil foi elogiado por Stientje van Veldhoven, ministra holandesa, por sua atuação nas negociações internacionais e na COP30.

A conferência também registrou cobranças por um tratado internacional vinculante pelo fim dos combustíveis fósseis, ideia defendida em discursos de membros da sociedade civil e de especialistas. Yuvelis Morales, ambientalista premiada, pediu: “Que dessa conferência saia um instrumento vinculante […] e que essa ferramenta se consolide em um tratado sobre combustíveis fósseis”.

Santa Marta se destaca por sua beleza natural e também por abrigar um importante porto exportador de carvão, enquanto a Colômbia depende fortemente de combustíveis fósseis. Segundo Irene Vélez-Torres, ministra colombiana do Meio Ambiente, houve celebração pela presença de diversos países, mas ausência dos maiores poluidores, como Estados Unidos, China e Rússia, foi notada.