Da redação
Uma exposição fotográfica em Maputo retrata as histórias de refúgio e retorno em Moçambique desde a década de 1960 até os anos 1990, período em que mais de 2 milhões de moçambicanos cruzaram fronteiras em busca de proteção. Levando sonhos, memórias e esperança de um futuro seguro, esses movimentos marcaram gerações e foram fundamentais para o país.
Durante o exílio em países vizinhos como Tanzânia, Zâmbia, Malawi, África do Sul e Zimbábue, surgiram novas formas de solidariedade, moldando a trajetória de toda uma geração de moçambicanos. As imagens mostram como as histórias pessoais desses refugiados se entrelaçaram com a luta pela independência nacional e o processo de reconstrução do país após a guerra civil.
Com destaque para o retorno de cerca de 1,7 milhão de pessoas ao final da guerra civil, a exposição ilustra o papel desses cidadãos na reconstrução de aldeias, escolas e comunidades inteiras em Moçambique. A mostra também homenageia os 75 anos do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) e os 50 anos de independência do país, salientando a parceria histórica transformadora.
A iniciativa apresenta ainda autoridades como o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, ex-alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos e funcionário do Acnur em Moçambique nos anos 1970, lembrado por sua atuação humanitária. Vieira de Mello morreu em 2003, no Iraque, durante um atentado terrorista em Bagdá.
No cenário atual, em que o deslocamento interno afeta mais de 1,3 milhão de pessoas nas províncias do norte, a exposição “Refúgio: Caminhos Cruzados” convida o público a refletir sobre pertencimento e reconstrução. A mostra ficará aberta até 15 de janeiro de 2026, na Estação de Caminhos de Ferro, CFM, em Maputo.





