Da redação
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, apareceu recentemente em um vídeo promovendo ações de “acolhimento institucional” para pessoas em situação de rua. Segundo a militante Thessa Guimarães, este tipo de abordagem expõe como o Estado brasileiro administra pessoas consideradas “excedentes”, adotando práticas como confinamento, moralização e, em alguns casos, trabalho forçado.
De acordo com Thessa, a maioria desses espaços — identificados como chácaras, fazendas, ranchos e sítios afastados, sem fiscalização — é gerida por instituições privadas, muitas vezes sob nomes como casas de recuperação, centros de acolhimento ou comunidades terapêuticas. A autora afirma que essas estruturas existem não para curar, mas para suprir interesses do Estado, empresários e setores religiosos, que se beneficiam financeiramente da parceria.
A militante denuncia que, dentro dessas unidades, os internos realizam tarefas diárias como construção, limpeza e plantio, sem remuneração e sem liberdade para sair, caracterizando o trabalho como cativo. Thessa enfatiza que tais práticas são justificadas por discursos morais e estatais e lamenta a institucionalização dos chamados “resgates” nas ruas, realizados com acompanhamento de guardas e ambulâncias, o que, na sua avaliação, transforma exceções em regra e consolida políticas públicas de confinamento.
No contexto do Distrito Federal, Thessa associa esse modelo de gestão ao alinhamento do governo local com interesses financeiros e elites que lucram com a precarização social, mencionando o envolvimento do governador Ibaneis Rocha em polêmicas do passado, como a defesa dos assassinos de Galdino Pataxó em 1997.
Por fim, a representante do Conselho Regional de Psicologia do DF no Ciamp-RUA/DF sustenta que saúde integral é um direito e não dever, criticando a preferência estatal pelo financiamento de instituições privadas em vez de investir em moradia pública assistida, comparando as condições atuais a formas contemporâneas de senzala.





